HPV na gestação: riscos e cuidados neste período

O Papilomavírus Humano atinge 80% da população sexualmente ativa em algum momento da vida

O Papilomavírus Humano (HPV) atinge 80% da população sexualmente ativa em algum momento da vida, de acordo com estimativa dos especialistas. A maioria das pessoas, entretanto, nem percebe e o sistema imunológico se encarrega de eliminar a doença do organismo. Mas, em tipos específicos como os 16 e 18, o vírus é capaz de criar lesões precursoras do câncer. Em especial, a formação de tumores no colo do útero – uma das maiores causas de morte entre as mulheres no Brasil. 

No entanto, muitos se perguntam: quais os riscos quando se descobre a infecção por HPV durante a gravidez? O ginecologista Elson Almeida, do Hapvida Saúde, esclarece que é comum isso ocorrer. “Uma vez que a gestação representa a única oportunidade para a realização do exame de colpocitologia oncótica (Papanicolaou) em determinados grupos populacionais, o diagnóstico comumente pode ser feito durante o pré-natal”, explica Elson. 

Sobre os riscos de aborto ou má formação, o médico esclarece que “o papel do HPV na etiologia do abortamento espontâneo ainda é controverso e há evidências relevantes sobre fetos mal formados relacionados ao HPV”, diz o ginecologista. 

Parto normal ou cesárea?

De acordo com o ginecologista, o risco de transmissão da doença é baixo durante o parto, no entanto, o risco da cesárea para todas as mulheres que apresentam qualquer verruga genital é maior do que o seu benefício potencial. Deste modo, considerando-se que o papel preventivo da cesárea é desconhecido, esta não deve ser realizada com o único propósito de prevenção da transmissão da infecção pelo HPV ao recém-nascido.  

“Em raras circunstâncias, a cesárea é indicada para gestantes com verrugas genitais que causam obstrução do canal de parto ou nos casos nos quais o parto vaginal resultará em um sangramento excessivo devido à laceração das lesões verrucosas”, esclarece, dr. Elson Almeida.

Prevenção

Como estratégia de prevenção, além do exame papanicolau e do uso de camisinha, o Ministério da Saúde iniciou vacinação para meninas com idade entre 11 e 13 anos. Em 2015, a imunização vem sendo oferecida na rede pública para meninas de 9 a 11 anos e, em 2016, para as meninas que completam 9 anos. 

Números  

- 15.590 casos de câncer no colo do útero são estimados no Brasil para o ano de 2014, segundo o Inca

- 15 milhões de doses da vacina foram adquiridas pelo Ministério da Saúde, segundo informação da pasta

- 80% da população sexualmente ativa é atingida pelo HPV em algum momento, segundo estimativa dos especialistas


Folha do sertão

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