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TIÃO LUCENA: UM RECADO AOS URUBUS DE PRINCESA

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Sou do sertão e, por conseguinte, sou sertanejo. Conheço os hábitos e costumes do meu povo, porque os hábitos e costumes do meu povo são os meus também. Não abro mão do meu cuscuz com bode, do meu pão aguado com carne de porco, da minha cachaça com tiragosto de umbu,do meu forró pé de serra, da conversa de pé de balcão, do jogo de sinuca, da aposta do bilhar, da missa cantada em latim sem que eu dela nada entenda, do fanfarrão metido a brabo, do brabo que não precisa fingir, enfim, sou parte de uma terra sofrida, mas amada pelos que nela nascem e que dela não abrem mão por nada neste mundo.
Aprendi que o maior tributo do sertanejo meu irmão é a solidariedade.
Na hora do aperto, todos chegam e se achegam. Uns trazem meia quarta de açúcar, outros providenciam a banha de torrar o ovo, o vizinho da frente empresta a mistura do feijão e assim todos vivem, todos escapam, todos são felizes.
Pelo menos era assim no meu tempo.
Distante do meu sertão desde o lingínquo 1975, surpreendo-me com a notícia da briga política na minha querida Princesa.
Adversários do prefeito Ricardo Pereira, na falta do que dizer dele, acusam-no, pasmem, de ser contra uma festa.
Como se festa fosse a coisa mais importante do mundo.
Mas tem gente que se faz com a euforia dos festeiros.
E, aproveitando a euforia, trata de detonar o adversário com acusações ao mesmo tempo infundadas e desprovidas de qualquer sentido de utilidade prática.
Mas o que dói é a falta de solidariedade.
O prefeito chora a doença grave que acomete o pai dele.
E os festeiros sapatateiam sobre o sofrimento do prefeito, inchando os peitos de cobiça, querendo usar essa fragilidade momentânea para alcançar o orgasmo fácil próprio dos prostíbulos.
Fico triste com essa falta de solidariedade.
Minha terra mudou.

POR TIÃO LUCENA

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